DEUS É AMOR

Existe um grito preso na garganta de cada homem e de cada mulher pelo amor genuíno e autêntico, amor de verdade, que não é mentira nem é virtual. Esse é o grito por sentido e propósito, e esse sentido e propósito está em Deus que é amor. O grito pode ter diferentes contornos e distintas sonoridades. Pode transparecer a angústia da falta de sentido e propósito na vida, o drama de uma vida que não sabe de onde vem nem para onde vai, a perplexidade do absurdo e do acaso, a falta de inteligência que colide com a inteligência da qual fomos dotados.
Concebemos e criamos todo o tipo de objetos e de máquinas e para cada uma delas definimos previamente uma finalidade, só em relação a nós próprios relutamos com o sentido e propósito, andamos às apalpadelas à procura do mesmo, negamos que ele exista porque não nos queremos render á origem pessoal que tem no Deus que se nos dá a conhecer em Jesus Cristo.

PORQUE EXISTIMOS?
A essência de Deus é amor. O amor é a natureza de Deus. Tudo o que Deus faz está de acordo e em sintonia com o Seu amor. Podemos dizer sinteticamente que o amor só existe e só pode ser apreendido em Deus. Fomos plasmados por Deus como pessoas à Sua imagem e semelhança e, portanto, partilhamos essa realidade. Mas o que aqui desde já nos importa é que não é possível definir o amor à parte de Deus. Podemos até adiantar que o amor não é para ser definido, mas uma essência do ser que se expressa e manifesta na maneira como vivemos e agimos.
Deus é um em três pessoas. Não podia ser de outra forma, sendo amor. Não é possível ser amor e ser apenas uma pessoa ou duas. A Trindade tem uma evidência sublime na essência de Deus que é amor. As pessoas da Trindade relacionam-se em amor absoluto e perfeito na eternidade. É dentro desta realidade, desta essência que é a base e fundamento dos universos, que fomos criados em imagem e semelhança. É por isso que o amor não é o atributo de um monoteísmo de uma só pessoa. O amor pressupõe relacionamento, e por isso tem de existir mais do que uma pessoa, por outro lado a dimensão do amor é um elemento decisivo da unidade. Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) agem em perfeita e absoluta harmonia, porque a essência de Deus é amor.

O AMOR É CRIATIVO E REPRODUZ-SE
Porque é que Deus criou se Deus é completo em Si mesmo e não necessita de nada? O amor não é estéril, antes pelo contrário o amor cria, gera e multiplica. Deus criou porque Deus é amor!

CRIADOS SEGUNDO A IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS QUE É AMOR
Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança. O homem foi criado parecido com Deus na essência de Deus que é amor. Fomos criados em amor, e só no amor nos realizamos e verdadeiramente existimos. Como pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus temos a natureza de acolhermos o amor e de partilharmos o amor, de sermos amados e de amarmos.
É aqui que se insere a realidade e o sentido e significado de adoração e louvor. Pensar que Deus criou o homem e a mulher para ter pessoas na terra que o aplaudam e digam bem d'Ele, ou vivam à semelhança dos déspotas desta terra que precisam, exigem e manipulam a bajulação, o elogio, a veneração e a adoração como pessoas de rastos... isso não tem nada que ver com Deus! Adoração e louvor "em espírito e verdade" como Jesus definiu, tem que ver nos conformarmos com a essência de amor de Deus. É aí que Deus verdadeiramente é adorado e louvado, quando a nossa vida revela e manifesta a essência de Deus segundo a qual fomos criados e concebidos. Os cânticos, a música, as palavas, as encenações, os concertos são apenas um subproduto do que é essencial. A adoração e o louvor é o que resultada da nossa vida. Deus é adorado e louvado, Deus se agrada quando a nossa vida exala o perfume divino. Somos testemunhas e embaixadores quando representamos Deus no que Ele é, na relação com os outros. Por outro lado quando nos focamos em Deus em adoração e louvor, não é Deus que fica "maior" porque nada acrescentamos a Deus e Ele não precisa da nossa adoração e louvor, somos nós que carecemos. Estamos a focar-nos na excelência, no modelo, nos tornamos mais no que Ele é. Viver para Ele, é viver no que é excelente, é fugir e recusar a mediocridade.

AMOR E LIBERDADE

O Deus criador que é amor, não pode criar um ser que não tenha liberdade, que não tenha a possibilidade de escolha. Uma máquina ou um robô não ama nem pode ser amado. A identidade pessoal existe a partir de Deus. Deus é uma pessoa, não uma energia ou uma substância etérea. A dignidade de sermos pessoas apenas se encontra num Deus Criador que é pessoal. Deus sente, tem vontade, pensa, ama, decide, escolhe, determina, ouve, fala, dá-se a conhecer, mostra-se, revela-se, relaciona-se.
A partir do momento em que o homem rompeu com essa relação de amor com o Seu Criador e decidiu-se pelo oposto que Ele tinha avisado, entram na existência da humanidade as consequências dessa desobediência, como opção que o homem tomou em plena liberdade, embora instigado pelo enganador disfarçado de serpente. Tudo se inicia pela verificação de que se encontram despidos da glória de Deus e estão nus, pela ocultação de Deus escondendo-se e procurando fabricar uma forma de tapar a sua nudez, pela desculpabilização pessoal e pela culpabilização do outro. Logo mais Caim há de matar o seu irmão Abel, mesmo depois de ser confrontado com Deus, e mesmo depois de praticar o fratricídio ter a veleidade de argumentar segundo a melhor ciência do bem e do mal, que não era o tutor, o guardião, o protetor do seu irmão. Mais adiante mata-se um homem porque se é pisado, e como desfecho acontece o dilúvio ao qual apenas sobrevive Noé e sua família.
No uso dessa liberdade o homem negou o amor como o paradigma da sua vida à imagem e semelhança de Deus e decidiu pela ciência do bem e do mal. Essa foi a tragédia do ser humano. Uma tragédia que ainda hoje se repete, e que podemos contrariar. Nascemos nessa condição, mas não temos que viver subordinados e prisioneiros dela. Podemos viver de outra forma. Foi isso que Jesus nos veio proporcionar. Viver em Deus e para Deus. Mas podemos dizer igualmente que se o amor não pode existir sem ser em liberdade, é igualmente válido que o amor é a verdadeira liberdade. Fomos criados para escolher viver ou não em amor, com o Deus que é amor e que entre si se relaciona em amor, mas só somos verdadeiramente livres quando somos em amor. Não há liberdade fora do amor, como também fora do amor não há santidade nem justiça. A misericórdia, a benignidade, a generosidade, a compaixão, a longanimidade só existem no amor.

CONSEQUÊNCIAS DA REJEIÇÃO DO AMOR E O AMOR COMO OPERAÇÃO DE RESGATE

Quando Deus define e determine as consequências que a escolha do homem irá provocar Ele o faz numa manifestação de amor porque nelas está inserida a promessa que se há-de vir a cumprir e da qual Ele é o garante, da libertação da humanidade desse jugo. Da semente da mulher nascerá Um que ferirá a cabeça da serpente. O intento da maldição, de colocar o homem contra Deus e Deus contra o homem não vingará. O Deus que é amor, virá em forma humana e salvará pelo amor no sacrifício de Si mesmo, a humanidade. E todos os que receberem a Jesus receberão o poder de serem feitos filhos de Deus. Esta é a história da salvação, e esta é a salvação de Deus para o homem. A perdição do homem, em relação ao um relacionamento de amor, será rompida pelo amor de Deus ao homem. Deus salva amando até às últimas consequências.
Deus já sabia de tudo isto antecipadamente. Quando Deus criou já sabia que tal iria acontecer. E nesse processo que decorre da decisão do homem o amor de Deus é a evidência da história da salvação. A salvação é a demonstração do amor de Deus apesar da situação em que o homem mergulha. Sabendo de tudo ainda assim Deus considerou que valia a pena criar porque o amor sempre prevalecerá. O pecado é errar o alvo, e nós sendo criados para vivermos em amor, erramos ao viver ao contrário desse amor que começa por ser a Deus e ao próximo como a nós mesmos. Falhamos quando deixamos de acolher e de vivenciar o amor de Deus. É no amor de Deus que temos a nossa glória, que temos a nossa autoestima, que nos realizamos, que temos a nossa identidade, que temos vida com abundância, vida plena, vida eterna. Apesar de toda a destruição que o pecado gerou e continua a gerar, ainda assim Deus não desistiu de criar e de dar-se a Si mesmo em amor absoluto para trazer-nos de volta, restaurando-nos por dentro.
É difícil de entender porque Deus criou sabendo de cada injustiça, de toda a dor, dos genocídios, do racismo, da escravatura, das guerras, da violência, dos ódios, dos homicídios, das bombas atómicas, do terrorismo, do nazismo e do comunismo, de todos os ditadores e das suas prepotência e atrocidades indescritíveis. Deus criou-nos sabendo de tudo isso, mas sabendo que o Seu amor expresso, demonstrado, manifesto na cruz salvaria o homem. O universo não sucumbirá numa hecatombe gigantesca, a morte não será o fim, mas terá o seu fim para sempre. Novos céus e nova terra é o que Deus anuncia no futuro próximo. E o sofrimento do tempo presente não é para comparar com a glória porvir a ser manifesta em nós.
Porque Deus é amor Ele nunca desistiu do homem, Ele nunca deixou de amar, Ele continua a amar. É impossível para Deus não amar, ou não amar absolutamente, porque não se contradiz e Deus é amor. Aqui levanta-se a questão da ira de Deus. Mas será que o amor não implica a própria ira, não como nós seres humanos a entendemos e vivenciamos em grande parte (senão na totalidade), mas como Deus a experimenta em absoluta harmonia.
Temos ao longo de toda a história bíblica a narrativa do mal, da violência, da morte, da inveja, da cobiça, da promiscuidade, do crime; e do outro lado a narrativa do amor, da compaixão, da misericórdia, do perdão, do serviço, da paciência, do cuidado e da solidariedade. É Deus mesmo que define as consequências do comportamento humano. Na verdade Deus é amor e este é o princípio, o DNA da vida. O que vai no sentido oposto redunda precisamente em morte, conflito, destruição, culpa e condenação. Em última instância e face à eternidade teremos o céu e o inferno. Tudo o que acontece ao longo dessa história deriva do amor divino, mesmo o que não consigamos conciliar com esse amor. Toda a história bíblica que tem que ver com a presença e intervenção de Deus na história da humanidade e que culmina com o próprio Deus a tomar a dimensão humana, fazendo como cada um de nós, menos no que à ética e à moral diz respeito.

PERCEBER O AMOR DIVINO NO REMOINHO DA NEGAÇÃO HUMANA DO AMOR

Este aspeto coloca-nos perante a tentativa de alguns comentadores e até de alguns pretensos teólogos que defendem a existência de um Deus diferente no primeiro e no segundo testamento, antes e depois de Cristo. O Deus do Antigo Testamento seria sanguinolento, violento, déspota; enquanto o do Novo Testamento seria um Deus amoroso, tolerante, inclusivo. Uma visão mais do que simplista, distorcida. No primeiro testamento encontramos manifestações de Deus com um amor que sobrepuja as maiores expressões de amor que podemos encontrar entre os homens, e no segundo testamento encontramos Jesus a falar mais do inferno do que o que encontramos no restante da Bíblia. Em toda a Bíblia Deus é amor. Tanto num como noutro testamento temos a revelação do mesmo Deus, com a mesma essência.
Mas não escamoteamos nem fugimos a algumas narrativas difíceis do Antigo Testamento que humanamente preferiríamos especulativamente que não tivessem sido aí incluídas. Pode parecer-nos impossível articular e integrar o amor de Deus nessas narrativas, podemos até ser levados a optar por um Deus esquizofrénico que atua uma vez vezes em amor e outras em justiça, e por isso uma vez perdoa e tolera e outras vezes condena e mata. No Antigo Testamento podemos ser levados a pensar que Deus é muito radical, mas não devemos deixar que a nossa dificuldade de perspectiva ponha em causa a realidade do facto de que Deus é sempre amor, mesmo quando grupos sociais são dizimados e pessoas individuais encontram a morte, porque não agiram de forma adequada.
Mas sejamos francos e honestos, de que modo podemos ver o amor de Deus aquando do dilúvio, na torre de Babel, na morte dos primogénitos no Egito, na destruição de povos que vivam na terra prometida ao povo de Israel quando eles tomaram posse da mesma, na família de Coré engolida pela terra, no caso de Uza fulminado porque amparou a arca da aliança quando estava para cair devido ao carro puxado por bois ter tropeçado (entre outros exemplos)? Deus não negou o amor da Sua essência? A justiça de Deus não continua a ser amorosa, ou o amor a ser justo? Pode ser que nem sempre encontremos uma saída para o que na nossa forma de ver parecer ser um dilema. Desde o início Deus tornou nítido que o que se opõe ao amor de Deus provoca a morte. O amor não é um sentimento ou uma emoção. Amar é agir de acordo com a natureza de Deus, é obedecer a Deus no tempo presente sabendo qual é a Sua vontade, enquanto que no Éden e no Paraíso futuro foi e será fluir sem obstáculos, barreiras, distorções ou enviesamentos. Hoje, na condição em que nos encontramos amar é obedecer, fazer o que Deus diz que devemos fazer, no modo como Deus diz que deve acontecer - o fruto do Espírito (o que o Espírito gera em nós).
Quando o homem deliberada e conscientemente assume a ciência do bem e do mal, fica prisioneiro da morte e incapaz de discernir o que é certo. De uma forma veloz o homem precipita-se na aniquilação. O dilúvio é o modo pelo qual uma família será o canal através do qual a salvação se cumprirá e a humanidade não sucumbirá. Deus vela no Seu amor pelo cumprimento da esperança do Salvador.
Em primeiro lugar essa foi a decisão da humanidade, viver em conformidade com a ciência do bem e do mal, e essa lei (Deus avisou objectiva, rigorosa, clara e solenemente) provoca a morte (espiritual, emocional, afectiva, relacional, social, ecológica). Mas a opção e escolha do homem não suspendeu o amor de Deus, mas o amor de Deus não invalidou a decisão humana. Deus preparou e concretizou um plano de salvação que se cumpriu em Jesus, e que terá a sua plenitude em novos céus e nova terra em que a ciência do bem e do mal deixará de existir. Jesus veio e pela Sua morte tomou sobre si e esgotou toda a aplicação da morte resultante da ciência do bem e do mal, de todo o peado, de toda a liberdade escravizadora, que é a liberdade de fazer e praticar o mal. Deus dá a lei. A lei implica que a sua quebra provoca a morte. Mas Deus dá também os sacrifícios que apontam para o supremo e definitivo sacrifício que o próprio Deus realizará. Não é o sangue de animais que resolve o problema do homem, mas o amor sacrifical do Filho de Deus (Deus Filho) que o realizará. São apenas sinais, apontamentos, tipos do que haveria de vir e de uma vez por todas seria realizado. Foi isso que aconteceu é isso mesmo que hoje está diante de nós para a maior de todas as decisões. Se no jardim Éden o homem decidiu pela morte, hoje perante Cristo em amor decidimos pela vida eterna. Assim seja! Deus nunca deixou de amar a humanidade. Deus não desistiu do homem. Como escreve Philip Yancey não podemos fazer nada para que Deus nos ame mais, nem nada para que Deus nos ame menos.

O AMOR DIVINO QUE SALVA O HOMEM

Quando Jesus veio Ele demonstrou-nos na nossa dimensão o amor existente entre Ele, o Pai e o Espírito Santo. E nessa relação de amor que Jesus nos vai trazer de volta. Se queremos saber quem Deus é temos de olhar no rosto e na vida de Jesus, em carne e osso entre nós. Ele é a imagem do Pai. O rosto de Deus que podemos ver, e que os Seus contemporâneos puderam tocar. Mas se queremos saber quem o homem foi criado para ser também é n'Ele que temos de olhar. Jesus mostra-nos como o homem foi criado para ser.
Os pecadores sentiam-se bem perto de Jesus. O amor de Jesus movia os seus corações. Ele foi acusado de ser amigo de publicanos e de pecadores.
Na cruz Jesus coloca-se entre nós e o agressor, tomando sobre Si tudo o que nos era dirigido. Enquanto o Diabo usa a escolha do homem para o destruir, Deus lida com ela para restaurar-nos realizando o que Lhe é próprio - amando, servindo, perdoando, acolhendo.
Ao longo da História Deus no Seu amor nunca consentiu que o plano da salvação fosse comprometido ou inviabilizado. SE existem muitas ocorrências no Antigo Testamento e também no Novo Testamento que levantam alguma perplexidade e interrogação sobre a essência amorosa de Deus, elas se desvanecem perante o mistério da cruz. Ali o próprio Deus que é amor, mostra o que esse amor é tornando a todos os homens e mulheres possível a restauração e reabilitação à condição original exponencialmente elevada à condição de filhos de Deus (gerados por Ele e não apena criados).

DEFININDO O AMOR
A condição do homem até a linguagem tornou equívoca. Nem do amor conhecemos o verdadeiro sentido. O amor foi corrompido e hoje chamamos amor o que não o é. Por isso precisamos de balizas, de linhas de orientação, de princípio e valores, de regras e de leis. Amamos a Deus quando fazemos o que Lhe agrada, o que é a Sua vontade. Amor não é permissividade. Alguém disse muito apropriadamente ama e faz o que quiseres. Quando o amor comanda a nossa vida, quando a vida é exalada pelo amor, tudo o que fazemos é adequado. Um dos poemas mais impressionantes da Bíblia está na carta aos Coríntios e o seu tema é o amor. Um dos livros da Bíblia, o Cântico dos Cânticos é uma narrativa de amor nupcial que nenhum romantismo humano consegue superar. O amor de Deus pela humanidade está ali retratado. Deus não tem um plano B.
Vivemos num tempo transitório em que o amor tem de ser avaliado em função de princípios e valores, mandamentos e regras que definem o que é viver segundo o amor. Na eternidade não precisaremos mais delas. No paraíso porvir não haverá mais árvore da ciência do bem e do mal, mas apenas a árvore da vida.
Mas o amor é parte do fruto do Espírito que Ele gera em todos os que nascem de Deus como filhos.

O AMOR NA ETERNIDADE
Na eternidade viveremos com Deus em amor. Não serão precisas mais regras ou leis. A vida do amor vai fluir da natureza restaurada e glorificada.
O apóstolo João convida-nos a considerar o amor do Pai a nosso respeito. Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus. E na verdade somos filhos de Deus. Deus nos criou para fazermos parte da Sua família. Fomos criados por ele e somos gerados n'Ele pelo Espírito Santo, de acordo com o que jesus realizou a nosso favor.
A questão do mal e do sofrimento que é um mistério que não conseguimos deslindar tem na cruz uma resposta que, pelo menos, nos leva a perceber que o próprio Deus não se excluiu. Mas gostaria de chamar a atenção para um dos malfeitores que refere para o outro seu "parceiro" que não temia a Deus estando nas mesmas condições, sendo que Jesus nenhum mal tinha feito, e que, afinal de contas eles estavam ali em virtude dos males que haviam cometido. Um raciocínio que nos leva a ponderar esta difícil questão por quem estava numa das mortes mais violentas que o mundo já conheceu. Uma análise que não é produzida à secretária e inserida em compêndios de filosofia, mas que brota da experiência real.
A experiência da morte é o oposto do amor que é vida, intimidade e relacionamento. Na morte a presença é abruptamente interrompida, não há relação com um corpo frio de um morto. Quem já passou por uma experiência da morte de um ente querido sabe por experiência própria da transição da relação física para as memórias, para a representação afetiva e emocional. Há uma diferença radical entre a vida e a morte, entre a relação com uma pessoa viva e uma pessoa cujos restos mortais estão diante de nós, ou diante da pedra gélida da sepultura. A morte de Jesus foi seguida passados três dias, para que ninguém tivesse dúvidas de que Ele realmente estava morte, pela Sua ressurreição. O amor triunfou, a morte foi derrotada. A relação foi reatada. Os discípulos que tinham fugido, que ficaram dececionados e confusos, que foram apanhados por uma desilusão que não conseguimos avaliar apesar de todas as intervenções de Jesus no sentido de os preparar, foi substituída pela alegria num misto de estupefação e de alguma incredulidade a princípio. A verdadeira mudança em toda a sua pujança acontece quando o Espírito Santo vem sobre eles e toma conta deles, passando a habitar neles. A presença física do divino é agora a presença espiritual do Espírito Santo. E um dos aspetos do fruto do Espírito é o amor! Deus é amor: O Pai, o Filho e o Espírito Santo é amor! O amor é a Sua essência e a realidade do seu relacionamento e unidade.
A história da Bíblia, palavra de Deus é a história de amor mais impressionante que alguma vez poderá existir. Não há outra que a possa sobrepujar. Não importa se somos amados por quem nos rodeia, se fomos desejados, se fomos envoltos em amor enquanto éramos entretecidos no ventre da nossa mãe. É o amor que a fé se desenvolve enquanto confiança, dependência e obediência.

Samuel R. Pinheiro